Um ano do Paris de Histórias: balanço e novas propostas!

Era outubro de 2018. Dia de sol. Outono em Paris. Um dia como os outros. Mas não pra mim. Naquele dia, eu desembarcava na cidade das luzes com a mala cheia de sonhos, disposta a escrever para a minha história um novo capítulo. Foram muitos meses de preparação. Escrever o projeto de pesquisa. Submetê-lo a possíveis orientadores. Estudar francês. Procurar apartamento. Conversar com amigos. Conceber novos projetos de trabalho. Tudo isso junto e ao mesmo tempo. Com ansiedade e frio na barriga. E com muita coragem, também.

Os primeiros dias dessa minha nova vida há muito tempo sonhada foram de descobertas. Inúmeras. Descobertas que eram, também, redescobertas. A rotina de aulas, de seminários, de textos, que há muitos anos eu desconhecia. Desde que defendera o meu mestrado, em 2010. A cidade de Paris, que agora eu descobria de um outro lugar: o de moradora. E os novos projetos de trabalho: a redescoberta do ensino, pela ótica das ruas. O conhecimento, livre, dissociado de provas, de diplomas, de público-alvo específico. A possibilidade de ensinar para todos: gente que sempre gostou de história. Gente que nunca gostou. Gente que guarda uma lembrança distante de todos aqueles assuntos, estudados há muitos anos. Gente que ainda vai estudá-los, nos próximos anos letivos. Gente grande e gente pequena. Pais, filhos e avós. Gente do norte, gente do sul. Que oportunidade mais rica!

Leitura no Jardin des Tuileries. Outubro de 2018.

Minha proposta era a de aproveitar esse lugar privilegiado que é Paris, epicentro da história mundial, lugar de muitas memórias, de muitos afetos, de incontáveis narrativas para oferecer aos turistas a possibilidade de um mergulho na cidade, e não apenas de um passeio. De devorá-la, com unhas e dentes. E de estômago vazio, como fazia Hemingway ao visitar os impressionistas no Musée de Luxembourg. A fome, dizia ele, intensifica a experiência de contemplação do artístico. Paris para quem tem fome. Era essa a minha ideia.

Mas apenas boas ideias não bastam. Precisamos, também, de quem acredite nas nossas ideias. E eu tive a sorte e o privilégio de encontrar no meu caminho pessoas inteligentes, sensíveis, generosas e igualmente dispostas a oferecer experiências intensas, ricas e significativas aos turistas brasileiros. Eles são a Mariana, a Lina, a Fernanda e o Rodrigo. Os responsáveis pelo Conexão Paris. O Conexão Paris é um dos maiores blogs sobre turismo em Paris e na França. Suas dicas são certeiras. Seus textos, bem escritos, adequados, cheios de sensibilidade. Eu sempre procurei no Conexão Paris todas as informações de que precisava para organizar as minhas viagens. Por isso, foi pra eles que eu escrevi, apresentando minhas ideias. Recebi, de imediato, uma resposta. E um incentivo. E a partir daí, fomos desenvolvendo os roteiros. Testamos os percursos nas ruas. Fizemos ajustes. Até que tudo ficou pronto e eu comecei a oferecê-los. Há exatamente um ano.

O mês de março, portanto, marca o aniversário de um ano do Paris de Histórias. Um ano de experiências maravilhosas, com gente de todo o Brasil, de todas as idades, de todas as formações. Gente que te recebe de braços abertos. Que abre logo um sorriso, a cada nova descoberta. Que interage, interfere, compartilha. Que tira fotos e te dá abraços. Que te manda mensagem, fazendo perguntas, fazendo elogios. Após cada percurso eu voltava pra casa de alma lavada. Feliz, de ter passado algumas horas na companhia de gente tão especial. De ter podido ensinar, e aprender. De descobrir que as pessoas gostam de História. De arte. De literatura. E que é possível agradar ao publico oferecendo uma proposta de turismo que saia do senso comum.

Paris da Revolução Francesa. Junho de 2019.

Quando digo que aprendi, não estou sendo apenas gentil. Aprendi, e muito, com cada uma das pessoas que passaram pelo Paris de Histórias ao longo desse ano. Escutei, entendi, recebi conselhos. E essas interações me permitiram pensar em novos projetos, novas propostas para o ano de 2020. Foram elas que me incentivaram a desenvolver propostas maiores, mais ousadas: por que não oferecer aos turistas alguns dias de imersão em História, em arte e em literatura, e não apenas algumas horas? Lembro de um turista que fez o percurso da Paris dos impressionistas, e me disse:

“Vou esperar você desenvolver um projeto de uma semana inteira de percursos sobre a História da arte em Paris, hein. Quando estiver pronto, me avisa. Eu vou participar!”

A livraria Shakespeare and Co.

Que desafio enorme. E que grande ideia, ao mesmo tempo. Resolvi colocar a mão na massa. E desenvolver roteiros de profunda imersão: 3 ou 5 dias de mergulho no estudo das artes, da História ou da literatura. Percursos guiados, visitas a museus, rodas de conversa. Jantares coletivos. A oportunidade de ampliar o conhecimento, mas também de ampliar os laços! Conhecimento e afeto reunidos. Maravilhoso, não é? O primeiro dos meus roteiros de imersão seria dedicado à História da França, mas aí veio Ernest Hemingway e me fez mudar de ideia. Veio a ideia de criar um clube de leitores. Veio a parceria maravilhosa com a Priscila, do Instagram @pri_leitora. E veio a adesão de um grupo enorme, rico e muito entrosado, que compartilha entre si o amor pela literatura e por Paris. Como não transformar em projeto essa possibilidade incrível de viver por alguns dias a Paris de Ernest Hemingway, ao lado de gente tão maravilhosa, tão interessante e tão interessada no assunto? Por isso, o primeiro roteiro imersivo oferecido pelo Paris de Histórias terá como objeto o universo literário de Ernest Hemingway. Gostou da ideia? Tem interesse em fazer uma viagem em grupo de imersão literária? Então escreve pra mim em contato@parisdehistorias.com.br!Vamos tirar esse sonho do papel!

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© 2019 por Natalia Bravo