Paris Napoleônica: novo percurso do Paris de Historias!

“Bom dia, Natália. Descobri seu trabalho e gostaria de marcar alguns percursos com você. Meu marido é apaixonado por história e tem interesse em aprender sobre a Revolução Francesa e sobre Napoleão.”

Foi assim, graças a uma demanda especifica, que nasceu a ideia de produzir um roteiro sobre a Paris Napoleônica, que apresento aos leitores no texto de hoje. Napoleão Bonaparte: o soldado jacobino de origem modesta, oriundo da Córsega, que conquista territórios, o poder e os corações dos franceses, após as incontáveis vitorias de seus exércitos durante a Revolução. O general vitorioso que assume o poder revestido de uma legitimidade inédita, que contraria os princípios do Antigo Regime. O imperador francês fascinado pela mística do Império Romano, que deseja ver renascer, tendo como nova capital politica a cidade de Paris. O conquistador, que expande as fronteiras da França e aterroriza os países vizinhos munido de um discurso civilizatório: ao invadir territórios estrangeiros, ele alegava desejar partilhar os valores da Revolução Francesa com todo o continente. Jacobino ou imperador? Déspota ou revolucionário? Herói ou vilão?

Já era hora mesmo de surgir um percurso sobre essa personagem de tamanha riqueza, de enorme complexidade, cujos legados são ainda tão evidentes em Paris.

E indiscutível que Napoleão Bonaparte é uma das personalidades históricas mais conhecidas de todos os tempos: volta e meia, nos meus percursos sobre a Revolução Francesa, recebo famílias com crianças pequenas, que exultam de alegria ao ouvir o nome do general corso:

“Napoleão? Sim, eu conheço, eu já vi no Quintal da cultura! Eu já vi Napoleão num desenho!”


Napoleão Bonaparte, por Jacques Louis David.

Quase duzentos anos após a sua morte, sua memoria permanece viva e os seus feitos, para o bem e para o mal, continuam presentes no nosso imaginário, muitas vezes no centro dos nossos debates e das nossas reflexões sobre a história. Essa persistência não tem nada de acidental: ela é produto de um grande investimento, de um projeto grandiloquente, concebido e implementado pelo próprio Napoleão. Nele, tinham grande importância os símbolos de poder: as estatuas, os emblemas, as colunas, os monumentos. As obras de arte. Napoleão sabia que fazia história, e pretendia narrá-la em primeira pessoa, de forma a promover a exaltação de sua figura e de seus feitos. Como eu já disse em outras ocasiões, as cidades também produzem narrativa histórica. No caso de Napoleão Bonaparte, essas narrativas são quase onipresentes. A cidade de Paris transborda de referências ao período napoleônico. Entre elas, um dos maiores cartões postais da cidade. Um de seus maiores símbolos. O arco do triunfo. Que o imperador manda construir em homenagem às vitorias de seus exércitos, à moda dos imperadores romanos que lhe servem de inspiração.


O Arco do Triunfo.

Ou como a Colonne Vendome, erguida ao centro de uma das praças mais sofisticadas da cidade e inspirada na famosa coluna de Trajano. Os exemplos são inúmeros. Incontáveis. Marcam a trajetória relâmpago e inédita de um soldado de origem burguesa que chega a imperador, contrariando a lógica de uma sociedade até então baseada na noção de privilégios, de aristocracia, de direito divino. Que ascende ao poder e se diz porta-voz dos valores revolucionários, mas o exerce de forma autoritária e centralizadora. Que funda escolas publicas e estabelece o código civil, mas fere a liberdade e o espirito crítico ao estabelecer como verdade única o culto à sua personalidade. Um personagem característico de uma época. De um período de transição. Que reflete em suas ações as heranças da sociedade que ajudou a superar, mas também os elementos de um novo mundo, do qual se diz fundador.

Por esses motivos eu acredito que aprender sobre Napoleão em Paris pode, de fato, ser uma experiencia enorme, rica e inesquecível. Se você concorda comigo, está mais que convidado a participar dela. Será um prazer dividi-la com todos vocês!

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