Roteiro: A vida artística e literária na Paris dos anos 1920

Atualizado: 20 de Jun de 2019

Conheça os mais importantes Cafés e livrarias parisienses em um roteiro a pé proposto pela historiadora Natália Bravo, que retraça a vida artística e literária na Paris dos anos 1920.

Por Natália Bravo de Souza


Dia desses, estive revendo Meia-noite em Paris, o filme memorável de Woody Allen, ambientado simultaneamente na Paris dos dias de hoje, dos anos de 1920 e da Belle Époque: estava em pleno processo criativo para a produção do novo roteiro histórico e literário que apresentamos hoje aos leitores: sobre a boemia, a vida artística e literária na Paris dos anos 1920.

Cartaz do file Meia-noite em Paris, de Woody Allen

Nesse contexto, senti falta de assistir a esse filme novamente, dessa vez com olhar clínico, e crítico. Como Woody Allen teria retratado a Paris daqueles anos? Era importante sabê-lo: afinal, os filmes tem um papel importantíssimo na construção do nosso imaginário sobre determinados lugares e determinadas épocas. Quanto mais filmes ambientados em Paris assistimos, mais apaixonados ficamos pela cidade, mesmo que nunca a tenhamos visitado. Se assistimos a muitos filmes históricos, de repente nos sentimos mais próximos, mais interessados por temas que em outros momentos nos pareciam tão distantes.

A ficção


É certo que os filmes são obras de arte, que são o resultado (também) da criatividade de seus realizadores, e que não há em seu processo de produção a mesma intenção de rigor científico e metodológico das obras de historiadores acadêmicos. Ainda assim, assistir a filmes para aprender história pode ser muito interessante e enriquecedor. Meia-noite em Paris é um exemplo disso: apesar de não ser propriamente um filme histórico, Woody Allen consegue nos transmitir nessa obra a sua admiração, verdadeira homenagem à cidade de Paris e a alguns de seus momentos históricos mais marcantes, como a Belle Époque e os anos de 1920, entre as duas guerras mundiais.


Sem entrar nos detalhes do enredo (vai que algum leitor ainda não viu o filme, não é?), a imagem que Woody Allen nos transmite da Paris dos anos de 1920 é de puro glamour: vida cultural fervilhante, produção literária e artística à toda: Ernest Hemmingway, Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein. Josephine Baker. Boemia, criatividade, contentamento. E também uma invasão de norte-americanos, ilustres e desconhecidos, àquela que nessa época já era conhecida como a capital cultural do mundo: uma verdadeira República mundial das letras, na expressão ao autor francês Pascale Casanova. Essa Paris, dos cafés literários, dos disputados rendez-vous chez Madame Stein, dos cabarés e de uma riqueza cultural infinita povoa os sonhos de Gil, personagem de Owen Wilson, e também os nossos, por tabela. O filme é mesmo uma obra prima!


A realidade


Mas o fato é que a história é bem menos glamourosa do que nos sugere a narrativa de Allen. A Paris do pós Primeira Guerra Mundial havia perdido bastante do seu esplendor de anos atrás: ao contrário dos anos de Belle Époque, no final do século XIX, quando a cidade se transformava e se modernizava, embalada por uma crença quase inabalável nas benesses da ciência e do progresso, a Paris dos anos 1920 foi invadida pela crise e pelo pessimismo: apesar dos avanços, apesar do progresso, apesar da ciência, veio a guerra. E ela gerou destruição. Morte. Crise. Dívidas. Numa escala nunca antes imaginada.

Essa sensação de frustração, de pessimismo e descrença na humanidade servirá de inspiração, inclusive, para novas formas de se pensar a arte e a literatura. Seria a arte apenas a expressão do belo, do puro, do proporcional? Boa parte desses artistas não acreditará mais nisso. Será por esse motivo que esse grupo de intelectuais e artistas ficara conhecido como a geração perdida?



Sylvia Beach, fundadora da livraria ‘Shakespeare and Company’, e Ernest Hemingway, em março 1928, em frente à livraria.

Roteiro histórico e literário


Ora, se é assim, então por que Paris segue atraindo uma leva de artistas, de escritores, de intelectuais, que afluem em seus portos de forma incessante, apesar da crise? Por que essa presença tão forte de norte-americanos na Paris dessa época? Essas são questões de grande importância, mas geralmente pouco abordadas quando se pensa na Paris literária dos anos 1920.



Café de Flore, em Saint Germais. Foto: Petr Kovalenkov | Shutterstock

Como sou daquelas historiadoras que está sempre com a pulga atrás da orelha, que considera de muita importância estudar os fenômenos dentro de seu contexto histórico, tentarei responder a essas perguntas, e a muitas outras, no roteiro que apresentamos hoje: nosso objetivo, mais uma vez, é o de fazer da experiência de conhecer Paris alguma coisa de especialíssima: conhecer os seus cafés e as suas livrarias pode ser, também, pôr os pés em toda essa história.


Conhecer os artistas, os escritores, mas também o momento histórico em que viveram e produziram. Com mais ou menos glamour, a verdade é que o mergulho na história é sempre uma experiência da qual saímos muito melhores do que entramos. E a partir de agora, quem quiser e tiver oportunidade, terá a chance de partir comigo rumo a essas novas descobertas. Espero vocês! Repost: https://www.conexaoparis.com.br/2019/05/08/vida-artistica-literaria-paris-anos-1920/


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